O tratamento
Considerações acerca do tratamento da HOF
Quando se pensa nos tratamentos que envolvem a harmonização orofacial, além da queixa do paciente, deve-se levar em consideração uns tantos outros fatores: uma anamnese bem feita, com levantamento do histórico médico-odontológico do paciente, exames complementares - a cefalometria, a análise facia-, os recursos disponíveis - terapia de indução percutânea do colágeno, intradermoterapia, PRF e PRF, toxina botulínica, preenchedores, fios, hidroxiapatita, e etc, e como aplicar esses recursos.
Além de tudo isso, como somos dentistas, devemos considerar a conexão com outras especialidades.
Outras considerações envolvem a idade, o sexo e a etnia.
Considerações acerca da idade do paciente
Idade cronológica e fisiológica são fundamentais no planejamento do tratamento. A análise individualizada deve incluir a avaliação da qualidade do tecido, extensão e padrão de perda de volume de tecidos moles e duros, extensão e padrão de contração muscular e alterações da superfície da pele.
Por exemplo, não se deve adotar um padrão de 25 anos de idade para uma pessoa de 50 anos de idade com o suporte esquelético facial esgotado, sob pena de produzir resultados indesejáveis como saliências e volume em excesso. Uma abordagem conservadora é preferível, particularmente com preenchedores de ácido hialurônico mais recentes e duradouros, lembrando que “menos é muitas vezes mais”.
Embora esses princípios possam parecer óbvios podem se tornar obscuros se forem usados algoritmos e pontos de referência cutâneos (que mudam com a idade) em substituição a uma abordagem adaptada ao paciente.
Não há idade máxima além do qual os pacientes deixam de se beneficiar da restauração volumétrica. O declínio da qualidade do tecido e a consequente frouxidão da pele são indicações para combinar preenchimentos com lasers, ou mesmo cirurgia quando apropriado.
Em pacientes mais velhos, menos locais de injeção e menores doses de toxina em cada local podem ser indicados se a massa ou função muscular estiver reduzida.Em pacientes mais jovens, as desarmonias relacionadas à idade ainda não são proeminentes. A ênfase é tipicamente na modificação de características congênitas ou de desarmonias adquiridas, independentes da idade, como no caso de lesões.
O tratamento de pacientes mais jovens é comumente descrito como proativo ou “preventivo” (por exemplo, a aplicação de toxina botulínica nos pés de galinha ou nas linhas frontais já presentes no início da vida adulta).
Considerações acerca do sexo
A face masculina e feminina apresentam diferenças anatômicas e esteticamente atraentes segundo o sexo e por isso a abordagem de tratamento adota princípios diferentes. A harmonização do rosto feminino busca a forma de coração ou triângulo invertido, buscando preencher a proeminência nos terços superior e médio, com cone facial menor. Em contraste, a face masculina é percebida como harmoniosa quando um pouco mais longa, com proeminência mais igual de terços faciais e um maxilar bem definido. O crânio masculino médio é significativamente maior que o de um crânio feminino. Os ossos frontal, maxilar, zigomático e mandibular tendem a ser mais largos, mais quadrados e mais achatados, e o rebordo supraorbital é mais proeminente. Os homens têm maior massa muscular média e maior densidade de vasos sanguíneos. Tais diferenças relacionadas ao sexo, tanto na espessura epidérmica e dérmica quanto na distribuição de gordura, são moduladas por esteroides sexuais. Na harmonização masculina deve-se evitar o aumento do volume da face média e da região temporal. Em relação aos lábios deve-se buscar a melhora na definição da borda vermelha, mas é preciso ter cuidado para evitar uma forma feminina ou plenitude. E a elevação inadequada das sobrancelhas (especialmente as caudas laterais) com toxina tenderá a feminizar uma face masculina.
Considerações acerca da etnicidade
Dados clínicos suportam a segurança e a eficácia da toxina botulínica tipo A e dos preenchedores de ácido hialurônico em pessoas de cor. Diretrizes baseadas na etnia do paciente não devem obscurecer o princípio básico de que os ideais de beleza estão amplamente preservados ao longo do tempo e das culturas. Embora algumas características congênitas quantificáveis sejam comumente associadas a etnias específicas, os princípios gerais de análise e correção individualizada aplicam-se a todos os pacientes. As variações geográficas nas abordagens de harmonização facial levam em conta a etnia, os morfotipos faciais predominantes, preferências culturais e padrões de migração global.Pacientes asiáticos, latino-americanos, africanos e europeus não compõem populações uniformes, existem variações físicas e culturais significativas nesses continentes. O casamento multi étnico aumenta a multiplicidade de morfotipos faciais, resultando em diferenças qualitativas e quantitativas na abordagem do tratamento.
Em comparação com os brancos, os asiáticos são mais propensos a exibir retrusão de face central; achatamento da face medial anteromedial; fossa piriforme recuada; testa mais plana e mais larga; retrognatia e microgenia. Essas características congênitas respondem pela prevalência de injeção de preenchimento na face média medial, nariz, queixo e testa de pacientes asiáticos mais jovens. Em pacientes mais velhos, a volumização dessas regiões continua sendo uma prioridade, em conjunto com a correção de desarmonias relacionadas à idade. A estrutura esquelética afeta o tônus de repouso e a contração da musculatura sobrejacente.
Variações na incidência e apresentação de fotoenvelhecimento entre grupos étnicos são atribuíveis em parte a diferenças físicas, tais como variações no tamanho e estrutura dos fibroblastos, e em parte às diferenças no estilo de vida. Embora todos os grupos étnicos acabem por manifestar sinais de fotoenvelhecimento, os brancos tipicamente têm um início mais precoce e exibem mais rugas mais jovens.
Não obstante todas essas diferenças, a perda de volume é onipresente em todas as etnias. Portanto, a restauração do volume e a correção de sequelas relacionadas, incluindo os efeitos sobre a musculatura associada, são estratégias fundamentais para o planejamento correto da terapia.


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